FREITAS
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Juventude Negra em Pernambuco
November 17, 2006 - 01:29 PM
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Há hoje, uma verdadeira guerra de extermínio não declarada contra a juventude brasileira, especialmente contra a juventude negra e das periferias das grandes cidades. Alvos da violência policial ou dos grupos paramilitares, nossos jovens das periferias, muitos deles desempregados, estão sendo simplesmente executados.
A violência e às péssimas condições de vida, de abandono agravadas pelas medidas do governo atual que se nega sistematicamente a fazer na área social os investimentos que prometeu.
A juventude masculina negra é o principal grupo vulnerável à violência urbana e policial, representando a maioria das vítimas de tortura e de homicídio, assim como é o segmento feminino negro o principal grupo vulnerável à impunidade da violência sexista, traduzida na omissão estatal quanto à defesa social das mulheres negras vítimas de violência doméstica, bem como na omissão quanto à saúde pública, em que são as mulheres jovens negras as maiores atingidas pela ausência de políticas de direitos sexuais e reprodutivos. Sendo traçado um diagnóstico concreto, em que o quesito raça/cor delineie os números reais dessas várias formas de violência racial, teremos a comprovação daquilo que sempre denunciou o movimento negro: vivemos sob um verdadeiro genocídio contra o povo negro brasileiro, de acordo mesmo com o conceito da Convenção da Assembléia da ONU.
Esses mesmos jovens que, além de sofrer o habitual preconceito por parte dos que se consideram adulto, sofrem também por serem negros ou negras, por não terem tido oportunidade de estudar ou por não conseguirem um emprego.
E é essa juventude excluída que mais uma vez expressa sua insatisfação, a sua vontade de mudança e levanta suas barricadas de resistência. E divulga suas opiniões através da produção cultural de movimentos que fazem uma crítica contundente à sociedade e a outros tipos de manifestações artísticas convencionais (Hip-hop, Maracatu, Afoxé e outras expressões artísticas).
Os sucessivos governos seguem ignorando a juventude. As iniciativas são pontuais e fragmentadas, apesar de sua numerosa presença na sociedade.
Temos, portanto, o desafio de reconhecer que estamos em plena operação de um Estado com elementos ditatoriais, em que há um grupo vulnerável bem definido para a ação de extermínio, de genocídio, de repressão policial e de exclusão socioeconômica: a população negra, com especificidade à sua juventude e às mulheres, continua, desde quinhentos anos atrás, a ser oprimida por um Estado segregador, desigual e violador de direitos humanos em todas as suas dimensões.
FREITAS
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